São Paulo
Agora 20°C
Qua 19°/26°
Desmatamento retira 27% da renda dos municípios brasileiros
Meio Ambiente

Desmatamento retira 27% da renda dos municípios brasileiros

30 de março de 2026

Um mito persistente na fronteira agrícola brasileira acaba de ser derrubado por dados concretos: a ideia de que o desmatamento é um "mal necessário" para o desenvolvimento econômico. Segundo reportagem publicada pela Folha de S. Paulo nesta segunda-feira (30), os municípios que lideram os índices de devastação ambiental são, curiosamente, alguns dos mais pobres do país.

O estudo aponta que, das 50 cidades com os maiores índices de desmatamento acumulado entre 2008 e 2022, 47 apresentam um rendimento mensal 27% abaixo da média nacional. O cenário revela que a substituição da floresta nativa por atividades exploratórias não se traduz em qualidade de vida para o morador local.

Especialistas ouvidos pela reportagem explicam que o desmatamento geralmente está atrelado a economias de "ciclo curto" e muitas vezes clandestinas. O lucro gerado pela retirada da madeira ou pela abertura de novas pastagens tende a ser concentrado nas mãos de poucos agentes, enquanto a maioria da população local permanece refém de empregos precários e serviços públicos deficientes.

Além do impacto social, o custo ambiental futuro é alarmante. Estimativas indicam que as emissões de carbono geradas por essas atividades criam um passivo bilionário em perdas e danos climáticos que o país terá de pagar nas próximas décadas.

A análise reforça a necessidade urgente de uma transição para modelos de economia limpa. O rendimento inferior nessas regiões prova que a preservação e o uso sustentável da biodiversidade podem ser caminhos muito mais lucrativos e perenes do que a simples conversão da floresta em solo exposto.

Para estados como o Pará e Mato Grosso, onde se concentram muitos desses municípios, o desafio é transformar a riqueza natural em ativos que gerem renda real e distribuída, rompendo de vez com o modelo de exploração que, até agora, só entregou degradação e desigualdade.

Comentários (0)

Avaliação:

Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar!